domingo, 18 de maio de 2008

Fatos e medos reais

Eu sou muito covarde no que diz respeito a enfrentar certos bichos que rotineiramente invadem nossas casas. Quando eu morava com a minha avó, entrei no quarto onde eu dormia e tinha uma linda lagartixa perto da minha cama. Pensei: que bosta (sem nenhuma cordialidade)! Peguei uma vassoura e, me borrando de medo, tentei espantar aquele bicho feio e desocupado pro lado da janela para que saísse. A vaca nem se moveu! Cheguei a encostar a vassoura levemente na cabeça dela, fiz até um movimento de negação com sua cabeça e a sonsa não teve medo! Ficou imóvel, me fazendo de idiota. Fiquei com muita raiva e resolvi pegar algo mais ameaçador: meu desodorante aerosol! Comecei a jogar nela. Ela se contraiu um pouco mas ainda assim se manteve firme em seu lugar. Então tive a idéia de ligar o secador de cabelo ver se o vento quente a espantava. Nada! Fui até o quarto da minha avó e vi um tubo imenso de laquê. Aí foi o vento quente junto com laquê. A infeliz da lagartixa resolveu se mexer e acabou caindo bem em cima da minha escova de dentes, que estava numa estante. Depois de eu dar um tratamento de beleza completo, foi assim que me agradeceu. Que raiva! E outra, as lagartixas são péssimas! Quando falo (só falo) que vou matar uma, sempre tem alguém que diz "mata não, ela come moscas". Come quando? Lagartixa não voa! E eu várias vezes já vi lagartixa na mesma parede onde ficam bruxinhas e mosquinhas, e fiquei observando muitos minutos que a lagartixa olha, totalmente imóvel pra sua presa e não faz nada! Em posição de ataque mas nunca ataca! Me lembrei dessa coisa de bichos porque agora pouco, antes de começar a escrever, fui ao banheiro e no espelho me deparei com uma barata adolescente. Se fosse adulta eu nem iria fazer nada lá dentro até que eu arranjasse alguém pra matar o monstro mas, com a pouca idade da bichinha, resolvi enfrentar. Peguei meu chinelo e, com medinho, dei uma pancadinha nela. Ela caiu no ralo da pia. Abri a torneira pra ver se ela cabava de morrer por afogamento mas não funcionou. As baratas são imorríveis! Depois de um bom tempo de água, estava lá aquela coisa mexendo algumas patas. Pensei em algo mais radical: peguei molho de pimenta joguei um tanto nela. Parece que ela não gostou muito porque começou a se debater com mais intensidade. Depois disso, resolvi ter coragem de tirar o filhote de monstro com dois cotonetes. Peguei a barata com eles igual a quando se come comida japonesa e joguei no cesto. E ela ainda se mexia! Como minha covardia não me permite matar, joguei um pouco de álcool em gel. Acho que ela morreu depois dessa mistura de pimenta e álcool. E depois disso tudo, o que eu tinha pra escrever hoje acabei esquecendo. Mas valeu. Hoje o repúdio vai para.... os bichos que invadem nossas casas!

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